Rover Curiosity encontra formação rochosa em “teia de aranha” e reforça indícios de água subterrânea em Marte
25 de fevereiro de 2026 — O rover Curiosity, da NASA, identificou um conjunto de cristas rochosas entrecortadas por depressões arenosas nos arredores do Monte Sharp, em Marte. O padrão, visível do espaço e apelidado de “teia de aranha”, corresponde a estruturas conhecidas como boxwork e pode oferecer novas pistas sobre a antiga circulação de água subterrânea no planeta vermelho.
Rede de fraturas mineralizadas
As cristas medem entre 1 e 2 metros de altura e formam linhas que delimitam pequenas “caixas” de areia solta. Segundo cientistas da missão, a principal hipótese é que, há bilhões de anos, água subterrânea percorreu fraturas nas rochas, depositando minerais mais resistentes à erosão. Com o enfraquecimento e a remoção do material circundante ao longo do tempo, apenas o “esqueleto” mineral permaneceu à mostra, resultando no desenho geométrico observado agora pelo equipamento.
Indícios de lençol freático elevado
O Curiosity avança gradualmente pelas encostas do Monte Sharp, onde cada nível de altitude corresponde a uma camada sedimentar de época distinta. Encontrar boxwork em níveis superiores sugere que o lençol freático marciano atingiu altitudes consideráveis no passado, ocupando grande volume do subsolo. Ambientes subterrâneos com água estável são considerados potenciais abrigos para microrganismos, pois oferecem proteção contra radiação e variações extremas de temperatura.
Associação com argilas e carbonatos
Nessa porção do Monte Sharp também foram detectadas argilas e carbonatos, minerais que costumam se formar após interações prolongadas entre rocha e água. A combinação desses componentes reforça a avaliação de que a região pode ter sustentado condições habitáveis durante parte de sua história geológica.
Nódulos do tamanho de ervilhas apontam vários episódios de inundação
Além das cristas, o rover registrou pequenos nódulos irregulares, comparáveis a ervilhas, distribuídos sobre o terreno. Pesquisadores acreditam que esses aglomerados sejam vestígios de minerais precipitados quando a água subterrânea evaporou. Uma das explicações em análise propõe que as fraturas tenham passado por múltiplos fluxos de fluidos: primeiro, a cimentação inicial que consolidou as paredes internas; depois, a deposição de novos minerais durante eventos subsequentes de circulação de água.
Laboratório móvel em ação
Para desvendar a composição das cristas, o Curiosity perfura rochas e analisa amostras em seu laboratório interno. A difração de raios X permite identificar a assinatura mineral de cada ponto, enquanto experimentos de “química úmida” aquecem o material e adicionam reagentes específicos para ampliar a detecção de compostos orgânicos. A comparação dos resultados obtidos nas formações boxwork com dados de outras partes do Monte Sharp ajuda a reconstruir o ambiente químico que existia quando a água ainda fluía pelo subsolo marciano.
Próxima parada: camadas ricas em sulfatos
Concluída a investigação na área das cristas, o plano científico prevê que o rover suba para estratos com maior concentração de sulfatos. Esse tipo de mineral costuma se formar durante a evaporação de água, registrando a transição de um Marte antigo — mais úmido — para o deserto frio observado atualmente. O estudo das camadas sulfatadas deverá aprofundar a cronologia das mudanças climáticas do planeta.
Reconstruindo a história da água em Marte
A pesquisa sobre os boxwork integra um esforço mais amplo para mapear a evolução do sistema hidrogeológico marciano. Dados de superfície recolhidos pelo Curiosity, análises laboratoriais a bordo e observações de satélites em órbita compõem um conjunto de informações que permite aos cientistas avaliar como o lençol freático influenciou a paisagem e a potencial habitabilidade ao longo de bilhões de anos.
Imagens do terreno em “teia de aranha” divulgadas pela NASA em 23 de fevereiro reforçam a importância do local para compreender etapas tardias de circulação de água em Marte. À medida que a missão avança, cada novo ponto investigado no Monte Sharp acrescenta detalhes ao panorama sobre quando, onde e por quanto tempo a água permaneceu disponível no subsolo do planeta.
O Curiosity opera em Marte desde agosto de 2012 e continua a fornecer dados cruciais para a compreensão da geologia e do clima marcianos. Até o momento, o rover percorreu cerca de 30 quilômetros e executou dezenas de perfurações, consolidando-se como um dos instrumentos mais importantes na busca por sinais de habitabilidade fora da Terra.
As informações coletadas na formação em “teia de aranha” serão enviadas ao Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, onde pesquisadores farão a correlação com medições anteriores. Os resultados ajudarão a definir os próximos alvos científicos da missão no interior do Monte Sharp.



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