Maioria dos profissionais de marketing já vê qualidade de conteúdos gerados por IA no mesmo nível do trabalho humano, aponta estudo

São Paulo – A adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) em rotinas de marketing no Brasil alcançou 100% das iniciativas analisadas entre setembro e dezembro de 2025, segundo levantamento realizado pela agência Enlink. O estudo, que ouviu colaboradores de diversas agências das regiões Sul e Sudeste, revela que 51% dos entrevistados consideram a qualidade dos conteúdos criados por IA equivalente à produção humana.

Embora a tecnologia já faça parte do cotidiano das equipes, menos de um quinto dos profissionais (19%) classificou os impactos da IA como majoritariamente positivos. A pesquisa buscou mapear o grau de confiabilidade atribuído às plataformas, o nível de aceitação interna e as perspectivas para o próximo ano.

Ferramentas mais presentes nas equipes

Entre as soluções apontadas, o ChatGPT aparece como favorito de 97,7% dos participantes, mantendo ampla distância para o segundo colocado, o Gemini, citado por 31%. A frequência de uso também é expressiva: 40% dos entrevistados recorrem a sistemas de IA de forma habitual, enquanto os demais utilizam esses recursos de maneira pontual.

Os resultados atualizam o panorama traçado em fevereiro de 2025 por pesquisa do IAB Brasil em parceria com a Nielsen, que indicava presença de IA em 80% das agências. Agora, de acordo com o novo relatório, não há iniciativas de marketing sem algum grau de automação ou suporte baseado em IA.

Preocupações com precisão das informações

Apesar da popularidade, a confiabilidade do conteúdo automatizado ainda desperta reservas. Mais da metade dos respondentes disse desconfiar da precisão dos dados gerados e destacou a necessidade de checagem antes da publicação. Esse receio, porém, não inibe a expansão do uso: 43% das iniciativas planejam ampliar a aplicação de IA ao longo de 2026.

Entre os temores relatados, o risco de imprecisão ocupa o primeiro lugar, seguido por dúvidas sobre originalidade e possíveis impactos na reputação das marcas. Mesmo assim, os profissionais relatam ganhos operacionais em tarefas como redação de textos, criação de conceitos visuais, análise de métricas e personalização de campanhas.

Debate sobre tráfego orgânico permanece aberto

De acordo com Manu Sanches, fundadora da Enlink, a pesquisa pretendia avaliar sobretudo o efeito da IA sobre o tráfego orgânico. “Ouvimos desde a percepção de que essa fonte de visitas está em declínio e gera ‘migalhas’ até projeções de que será a principal via de aquisição no próximo ano”, explicou. A falta de consenso reflete, segundo ela, a fase de adaptação e experimentação vivida pelas equipes.

Enquanto uma parcela dos entrevistados associa automação a queda de relevância em canais de busca, outra vê na IA um caminho para otimizar estratégias de SEO por meio de análise de dados em larga escala e produção de conteúdos mais segmentados.

Panorama de adoção e expectativas

Os dados consolidados pela Enlink mostram:

• 100% das iniciativas de marketing analisadas utilizam IA;
• 40% adotam a tecnologia de forma frequente;
• 51% consideram a qualidade dos conteúdos no mesmo patamar da produção humana;
• 19% avaliam os impactos como predominantemente positivos;
• 50% mantêm desconfiança quanto à precisão das informações;
• 43% pretendem ampliar o uso em 2026.

Com base nos números, o relatório indica que a IA tende a permanecer como recurso central na operação de marketing, porém acompanhada de ajustes nos fluxos de revisão e validação de dados. A expectativa é que processos de curadoria humana continuem essenciais, ao menos até que as equipes se sintam plenamente seguras quanto à confiabilidade dos sistemas.

O estudo reforça, ainda, que o debate sobre dependência tecnológica, qualidade de entrega e impacto em métricas tradicionais, como o tráfego orgânico, deve se intensificar no próximo ciclo. Enquanto isso, a busca por eficiência operacional garante à IA espaço crescente na pauta das agências brasileiras.

Para acessar a íntegra da pesquisa, a agência disponibilizou o material em seu site oficial.

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