Getnet apresenta plano para comércio agêntico e foca em varejistas
São Paulo – A Getnet, fintech de meios de pagamento controlada pelo Santander, detalhou nesta terça-feira (30) sua estratégia para atuar no chamado comércio agêntico, modelo em que agentes de inteligência artificial passam a conduzir todo o processo de compra e pagamento de maneira autônoma. O anúncio foi feito em evento com clientes e parceiros realizado paralelamente à NRF 2026, em Nova Iorque.
IA passa a liderar a jornada de compra
O comércio agêntico (agentic commerce, em inglês) marca uma mudança de papel da inteligência artificial: de assistente que apenas observa o consumidor para agente que descobre produtos, negocia condições e finaliza o pagamento em nome dele. Segundo dados citados pela Getnet e elaborados pela Deloitte, até 30% do valor transacionado no comércio eletrônico global poderá ser influenciado por esses agentes até 2030, o que representa cerca de US$ 17,5 trilhões.
Ao enxergar essa tendência como irreversível, a companhia pretende se posicionar como provedora de infraestrutura e serviços de pagamento capazes de suportar transações executadas por sistemas autônomos. “Nossa visão é atuar como conselheira de confiança e facilitadora para que os clientes adotem o modelo com máxima segurança e conformidade”, afirmou Juan Franco, CEO global da Getnet, em comunicado distribuído à imprensa.
Recursos já disponíveis
De acordo com a empresa, boa parte da base tecnológica necessária para o novo paradigma já está incorporada à sua plataforma. O destaque é o Single Entry Point (SEP), interface de programação de aplicações (API) que possibilita integrações em diversos países por meio de um ponto de entrada único. O SEP foi desenvolvido para aceitar transações originadas por agentes de IA, assegurando processos de autenticação, análise de risco e cumprimento de requisitos regulatórios.
A Getnet também enfatiza que seus sistemas atuais contam com camadas de criptografia, monitoramento antifraude em tempo real e rotinas automatizadas de compliance, pontos considerados essenciais para lidar com compras realizadas sem intervenção humana direta.
Próximas etapas
Além das capacidades já em produção, a fintech delineou um cronograma de novas funcionalidades voltadas especificamente ao comércio agêntico. Entre elas estão:
- Identificação e validação de agentes: criação de mecanismos padronizados que verifiquem a identidade e a reputação de agentes de IA antes de autorizar qualquer pagamento;
- APIs padronizadas: publicação de conjuntos de APIs voltados a desenvolvedores interessados em integrar lojas virtuais, marketplaces ou sistemas de gestão de pedidos com agentes autônomos;
- Interoperabilidade com protocolos do setor: adequação aos principais protocolos globais de pagamentos digitais, garantindo que agentes possam operar em diferentes ecossistemas sem fricção.
O pacote de iniciativas está documentado no relatório “Getnet at the Forefront of Agentic Commerce”, elaborado em parceria com a Deloitte. O material traz análises de impacto regulatório, cenários de adoção por segmento de varejo e recomendações de boas práticas de implementação.
Foco no varejo
O público-alvo imediato da estratégia são redes de varejo interessadas em diferenciar a experiência do consumidor por meio de automação avançada. A expectativa da fintech é que essas empresas passem a delegar tarefas repetitivas – como comparação de preços, reabastecimento de estoque e processamento de pagamentos – a softwares inteligentes, liberando equipes humanas para atividades de maior valor agregado.
Para dar suporte à transição, a Getnet planeja oferecer workshops, programas de capacitação e consultoria técnica. A companhia não divulgou metas financeiras específicas, mas sinalizou que a adoção do comércio agêntico pode ampliar o volume de transações processadas, impulsionando receita de serviços de adquirência e soluções de dados.
Preparação do setor de pagamentos
Especialistas ouvidos pela fintech apontam que a adoção em larga escala de agentes de IA exigirá mudanças estruturais em toda a cadeia de pagamentos, do emissor do cartão ao provedor de antifraude. Entre os principais desafios estão a criação de critérios de autorização adaptados a perfis de risco algorítmicos e a harmonização de normas de privacidade em diferentes jurisdições.
Ao se antecipar a esse movimento, a Getnet reforça sua estratégia de competir não apenas em maquininhas ou gateways tradicionais, mas também em serviços de próxima geração que integram inteligência artificial, análise de dados e infraestrutura multinuvem.
Com a divulgação do plano, a fintech se posiciona para disputar um mercado que, segundo projeções internas, começará a ganhar tração comercial a partir de 2027, quando ferramentas de IA generativa e agentes autônomos estiverem mais disseminados entre consumidores e varejistas.
A empresa informou que, nas próximas semanas, iniciará projetos-piloto com parceiros selecionados no Brasil, Espanha e México, países em que já mantém operação consolidada. Resultados preliminares desses testes devem ser apresentados ao mercado no segundo semestre.
O lançamento da estratégia de comércio agêntico ocorre em um momento em que diversas instituições financeiras aceleram investimentos em IA para ampliar receitas e reduzir custos operacionais. Ao colocar o tema no centro de sua agenda, a Getnet busca se diferenciar como provedora de tecnologia e consultoria especializada para o varejo global.
Por ora, a fintech segue monitorando a evolução regulatória nos principais mercados onde atua e diz estar preparada para adequar seus sistemas sempre que houver novas diretrizes de autoridades financeiras ou órgãos de proteção de dados.
Com ênfase em segurança, conformidade e interoperabilidade, a Getnet aposta que o comércio agêntico se tornará fator determinante de competitividade para varejistas nos próximos anos.



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