Estudo indica que bancos e seguradoras precisam corrigir rota operacional para aproveitar IA

As instituições financeiras brasileiras e globais avançam no uso de inteligência artificial (IA), mas ainda enfrentam entraves internos que comprometem os resultados. É o que mostra o estudo “IA em Serviços Financeiros: Novas Fronteiras, Velhos Hábitos?”, elaborado pela consultoria Capco e divulgado em 24 de fevereiro de 2026.

Ambição alta, retorno aquém

Segundo o levantamento, bancos e seguradoras investem há anos em tecnologias como computação em nuvem e big data. Contudo, decisões tomadas durante a implantação impediram que todo o potencial dessas ferramentas fosse alcançado. O receio, agora, é repetir os mesmos erros com a IA.

Luciano Sobral, South America Managing Partner da Capco, afirma que a maior parte dos obstáculos não está na tecnologia em si, mas em barreiras organizacionais. “Há recursos e esforços aplicados, porém observa-se excesso de foco em ferramentas, projetos-piloto e métricas de desempenho, em detrimento de alinhamento, governança, financiamento integrado e estruturas menos rígidas”, explica o executivo.

Pilotos sem ganho operacional

O ritmo acelerado das soluções de IA levou muitas empresas a criar pilotos com o objetivo de testar funcionalidades. Na prática, entretanto, parte desses projetos pouco contribui para a melhoria efetiva de processos, revelando antigas fragilidades de transformação digital — como silos de dados e ausência de coordenação entre áreas.

A Capco identificou companhias que conseguiram contornar esse cenário ao tratar a IA como mudança de modelo operacional e de arquitetura corporativa, e não como simples atualização de ferramenta. Entre os acertos verificados estão a adoção de portfólios integrados, em vez de pilotos isolados, e a divisão de responsabilidades entre as lideranças, e não apenas de interesse.

Cinco princípios para resultado sustentável

Com base nas organizações que avançaram de forma consistente, a consultoria listou cinco princípios considerados essenciais para que bancos e seguradoras maximizem o valor da IA:

1. Alinhamento estratégico: estabelecer, de forma clara, as alavancas e ambições ligadas à IA antes de iniciar projetos.

2. Redesenho de processos: ajustar fluxos de trabalho e de dados para que a tecnologia seja incorporada de ponta a ponta.

3. Fundamentos corporativos: construir bases de IA em nível empresarial, evitando pilotos desconectados.

4. Equipes multifuncionais: criar times capacitados e empoderados para gerir a IA, com atuação transversal.

5. Responsabilidade compartilhada: envolver todas as áreas desde o desenho até o desenvolvimento das soluções.

Método para definir prioridades

Para ajudar no planejamento, a Capco desenvolveu a “Avaliação de Alavancas Estratégicas” (Strategic Levers Assessment). O processo propõe seis passos:

• Definir o papel que a IA terá no futuro da organização, de simples otimização até reinvenção de mercados.
• Determinar o grau de ousadia na adoção de tecnologias e os limites de responsabilidade da IA em atividades críticas.
• Equilibrar controle e velocidade, estabelecendo princípios e salvaguardas que orientem a entrega.
• Escolher onde a IA deve gerar valor primeiro e qual horizonte de investimento a liderança está disposta a assumir.
• Resolver se as capacidades serão construídas internamente, adquiridas ou obtidas por meio de parcerias, variando conforme o caso de uso.
• Planejar como as soluções serão escaladas em toda a companhia e definir o nível de abertura a ecossistemas externos.

Foco antes de experimentação

O estudo conclui que a IA recompensa organizações que mantêm foco em metas claras, em vez de ampliar o número de pilotos sem direção definida. Para evitar resultados abaixo do esperado, o setor financeiro precisa, portanto, alinhar estratégia, processo e governança antes de escalar novos projetos.

Com essa orientação, Capco reforça que bancos e seguradoras podem corrigir a rota operacional traçada em transformações passadas e, desta vez, colher de forma plena os benefícios proporcionados pela inteligência artificial.

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