Downloads do Sora caem 45% em janeiro e receita acompanha queda, apontam dados
O aplicativo Sora, da OpenAI, viu a demanda despencar apenas três meses depois de ter estreado no topo da App Store dos Estados Unidos. Números da empresa de análise Appfigures indicam que os downloads recuaram 45% de dezembro de 2025 para janeiro de 2026, enquanto os gastos dos usuários diminuíram 32% no mesmo intervalo.
Lançado em outubro de 2025 como um serviço de geração de vídeos por inteligência artificial, o Sora chamou atenção logo no primeiro dia, quando registrou mais de 100 mil instalações e assumiu a liderança entre os apps gratuitos da App Store norte-americana. A marca de 1 milhão de downloads foi atingida em ritmo mais acelerado que o alcançado pelo ChatGPT, outro produto popular da OpenAI.
Perda de fôlego já aparecia em dezembro
A desaceleração começou poucas semanas após a euforia inicial. Entre novembro e dezembro, as instalações já haviam encolhido 32%, mesmo em meio às festas de fim de ano, período tradicionalmente favorável para aplicativos móveis. Em janeiro, o total de downloads somou 1,2 milhão, confirmando a tendência de queda.
A retração refletiu-se também na receita. As compras internas no aplicativo somaram US$ 367 mil em janeiro, abaixo do pico de US$ 540 mil alcançado em dezembro, o equivalente a cerca de R$ 2,8 milhões pelo câmbio atual. Desde a estreia, o faturamento acumulado chega a US$ 1,4 milhão (aproximadamente R$ 7,4 milhões).
Concorrência crescente pressiona o aplicativo
Especialistas atribuem parte da perda de tração ao avanço de rivais no segmento de IA generativa. O Google ampliou a oferta do Gemini ao incluir o modelo Nano Banana, que ganhou popularidade rápida entre criadores de conteúdo em vídeo. A Meta, por sua vez, adicionou funções semelhantes ao Meta AI em outubro, elevando a disputa pela atenção do público.
Nem todos esses concorrentes escaparam de controvérsias. O Nano Banana foi flagrado reproduzindo trechos de sites sem autorização, episódio que levou o Google a apagar uma publicação de marketing relacionada ao NotebookLM após críticas sobre violação de direitos autorais.
Direitos autorais viram ponto sensível
No início, a OpenAI permitia que usuários do Sora criassem clipes envolvendo personagens conhecidos, como Bob Esponja e Pikachu, o que ajudou a impulsionar os primeiros downloads. A prática, porém, gerou reação negativa de estúdios de Hollywood. Sob pressão, a companhia instituiu um sistema mais rigoroso, exigindo autorização prévia para qualquer uso de propriedade intelectual registrada.
Em dezembro, a empresa anunciou um acordo com a Disney para liberar o uso de personagens do estúdio na plataforma. Embora o licenciamento tenha ampliado o catálogo autorizado, não foi suficiente para conter a curva descendente de instalações e de receita.
Números acumulados desde o lançamento
Somando as versões para iOS e Android, o Sora contabiliza 9,6 milhões de downloads desde outubro. O mercado norte-americano responde pela maior parte da monetização: US$ 1,1 milhão (cerca de R$ 5,8 milhões). Em seguida aparecem Japão, Canadá, Coreia do Sul e Tailândia.
O desempenho mais recente afetou a visibilidade nas lojas de aplicativos. Na App Store dos Estados Unidos, o Sora caiu para a posição 101 entre os apps gratuitos. No Google Play, ocupa atualmente o 181.º lugar, distantes das primeiras colocações alcançadas na estreia.
Por enquanto, a OpenAI não comentou publicamente as estatísticas divulgadas pela Appfigures. Ainda não há indicação de mudanças no modelo de negócios ou na política de licenciamento que possam reverter o declínio registrado entre dezembro e janeiro.
Com a concorrência intensificando investimentos em ferramentas de vídeo baseadas em IA e questões de direitos autorais em evidência, o Sora enfrenta o desafio de reconquistar relevância no mercado que ajudou a popularizar no final de 2025.



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