Deloitte projeta 2026 como o ano da expansão definitiva da inteligência artificial em escala global

Um levantamento da Deloitte indica que 2026 deverá marcar a passagem da inteligência artificial (IA) do estágio de testes para a adoção plena em empresas e consumidores. O estudo “TMT Predictions” analisa tendências para tecnologia, mídia e telecomunicações (TMT) e aponta que a redução da distância entre expectativas e resultados práticos será o principal motor de crescimento do setor no período.

Fundamentos para a nova fase da IA

Segundo Ronaldo Fragoso, sócio-líder para TMT da Deloitte Brasil, o ano de 2025 serviu como “piloto”, no qual organizações discutiram o potencial da IA, mas constataram a necessidade de estruturar dados, treinar modelos e definir métricas antes de escalar as aplicações. Para 2026, a consultoria prevê que essa etapa preparatória estará suficientemente avançada para destravar benefícios concretos, encurtando a distância entre promessas e resultados.

Pelos cálculos da Deloitte, o segmento TMT deve superar a soma dos demais setores em valor de mercado e velocidade de expansão econômica, consolidando-se como principal propulsor da inovação global. A consultoria ressalta, entretanto, que setores como energia, mineração, química, construção, manufatura, serviços públicos e saúde continuarão essenciais para validar e ampliar o uso da IA.

Treze temas de atenção em tecnologia, mídia e telecom até 2026

Tecnologia

  1. Busca com IA generativa – A inclusão de IA generativa em ferramentas de busca tende a aumentar em 300% o uso diário dessa tecnologia em comparação com aplicações autônomas, pela familiaridade do ambiente de pesquisa.
  2. Demanda por poder computacional – Executar modelos de IA deve consumir dois terços da capacidade computacional global em 2026. Grande parte desse volume virá de novos data centers avaliados em meio trilhão de dólares, equipados com chips especializados.
  3. Agentes autônomos de IA – O mercado desses agentes pode alcançar US$ 8,5 bilhões em 2026 e até US$ 35 bilhões em 2030. Se as empresas aprimorarem a orquestração e mitigarem riscos, o potencial pode atingir US$ 45 bilhões.
  4. Robótica industrial, humanoides e drones – A base instalada de robôs industriais pode chegar a 5,5 milhões de unidades até 2026, mas as vendas anuais permanecem em torno de 500 mil desde 2021. Escassez de mão de obra especializada e avanços de IA podem dobrar esse mercado até 2030.
  5. Convergência entre SaaS e IA – Aplicações de software como serviço devem se tornar mais autônomas e personalizadas, migrando de licenças fixas para modelos híbridos baseados em consumo e resultado. Estimativas de longo prazo sugerem que agentes de IA poderão substituir parte do portfólio de SaaS corporativo.
  6. Cadeia de suprimentos de semicondutores – Restrições comerciais, concentração de fornecedores e tecnologias críticas podem criar gargalos para IA avançada. Governos têm imposto barreiras em busca de proteção estratégica e redução de dependência.
  7. Soberania tecnológica – Para reduzir riscos geopolíticos, países e blocos regionais investem em nuvem, semicondutores, data centers, modelos de IA, conectividade e satélites. A autonomia total é improvável, mas a meta é ampliar a autossuficiência.

Mídia

  1. Séries de formato curto – Microsséries produzidas para consumo móvel deverão mais que dobrar a receita do segmento, alcançando US$ 7,8 bilhões, metade desse valor nos Estados Unidos.
  2. Videocasts – Ao combinar áudio e vídeo, o formato deve elevar a receita publicitária global de podcasts e videocasts a cerca de US$ 5 bilhões em 2026, com participação relevante de Índia, Nigéria e Brasil.
  3. Vídeos gerados por IA – Conteúdos produzidos por IA podem ampliar a renda das plataformas e impulsionar criadores independentes, mas levantam preocupações sobre autenticidade e desinformação, o que tende a atrair maior escrutínio regulatório.
  4. Parcerias de emissoras públicas com streamers – Nos Estados Unidos, canais como PBS têm coproduzido com serviços de streaming, promovido conteúdo em redes sociais e adotado lançamentos escalonados para atrair público jovem e ampliar alcance.

Telecomunicações

  1. Internet via satélite direto ao dispositivo – Investimentos em redes D2D devem subir de US$ 4 bilhões em 2024 para até US$ 8 bilhões em 2026. Estima-se que cerca de 1.000 satélites forneçam serviços de baixa largura de banda a áreas sem cobertura terrestre, enquanto a LEO (órbita baixa) pode somar entre 15.000 e 18.000 satélites conectando mais de 15 milhões de assinantes até o fim de 2026.
  2. Benefícios ao consumidor – Em mercados desenvolvidos, onde usuários percebem poucas melhoras na rede, programas de bonificação das operadoras podem se tornar tão decisivos quanto a qualidade do sinal. Até 2030, é razoável esperar que nenhum aparelho “revolucionário” use as redes móveis, aumentando o peso de vantagens não ligadas à infraestrutura para fidelização.

Perspectivas para 2026

A Deloitte conclui que, embora desafios como alto consumo de energia, exigência de chips avançados e disputas geopolíticas persistam, a colaboração entre indústrias e o investimento constante em inovação serão determinantes para aproveitar o potencial da IA. A consultoria prevê que, ao longo de 2026, empresas e consumidores verão aplicações práticas mais maduras, novas fontes de receita e modelos de negócios apoiados em agentes inteligentes, impulsionando o crescimento do setor TMT em todo o mundo.

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