Avanço de golpes digitais com inteligência artificial põe foliões em alerta no Carnaval

O período de Carnaval, tradicionalmente marcado por blocos, desfiles e multidões nas ruas, tornou-se também um momento crítico para a segurança digital. Especialistas em cibersegurança apontam que criminosos têm recorrido a ferramentas de inteligência artificial (IA) para potencializar fraudes, elevando o risco de usuários sofrerem perdas financeiras justamente quando a atenção costuma estar voltada à folia.

Criminosos combinam táticas antigas e recursos de IA

Segundo João Brasio, CEO da Elytron CyberSecurity, embora diversos golpes aplicados durante o Carnaval já sejam conhecidos do público, o uso crescente de IA elevou o grau de sofisticação dessas ações. “Os criminosos estão aperfeiçoando cada vez mais os golpes nos meios digitais, principalmente com o uso da inteligência artificial, mas muitas pessoas acabam caindo em golpes já conhecidos”, afirma. O executivo ressalta que, diante desse cenário, atenção redobrada e medidas básicas de proteção continuam sendo as estratégias mais eficazes de defesa.

PIX vira alvo principal de fraudes carnavalescas

O sistema de pagamentos instantâneos PIX aparece entre os principais focos dos golpistas. De acordo com Brasio, a prática de disponibilizar QR Codes falsos em sites, redes sociais ou mesmo em cartazes espalhados nos blocos de rua tem sido combinada a técnicas de IA que exploram a emoção da vítima. “Ainda que as novas regras de segurança do PIX tenham começado a valer há poucos dias, se prevenir de golpes evitará dor de cabeça em plena folia”, adverte.

Engenharia social: rostos e vozes falsos pedem socorro

Além das fraudes em pagamentos, ataques de engenharia social impulsionados por inteligência artificial ganham terreno. Andrea Rozenberg, diretora de mercados emergentes da Veriff, alerta para o crescimento do uso de áudios e vídeos manipulados digitalmente. Segundo ela, criminosos coletam conteúdos em redes sociais e criam mensagens que simulam amigos ou parentes supostamente roubados durante o Carnaval, solicitando transferências urgentes. “Hoje, fraudes por personificação já representam mais de 85% das tentativas de fraude de identidade”, pontua.

Esse tipo de golpe combina elementos emocionais – o clima de urgência e a preocupação genuína com conhecidos – ao realismo gerado por IA. O resultado é uma mensagem altamente convincente que pode levar a vítima a transferir valores de forma imediata, muitas vezes sem verificar a autenticidade da situação.

Brasil ocupa posição de destaque entre alvos globais

Dados apresentados em relatório da DeepStrike, divulgado nesta terça-feira (10), mostram que o Brasil foi o sétimo país mais visado por ataques e golpes digitais em 2025. Na mesma análise, a América Latina concentrou 84% das ocorrências registradas no mundo. O estudo aponta que proteger a identidade digital deve receber a mesma atenção dispensada à carteira física ou ao próprio smartphone, sobretudo em eventos de grande porte como o Carnaval.

Como minimizar os riscos

Embora o relatório e os especialistas ressaltem o avanço da tecnologia empregada pelos golpistas, a recomendação central continua sendo a adoção de práticas básicas de segurança. Entre as orientações destacadas estão:

  • Verificar cuidadosamente qualquer pedido de transferência, mesmo que pareça vir de pessoas conhecidas;
  • Conferir a autenticidade de QR Codes antes de efetuar pagamentos por PIX;
  • Evitar clicar em links recebidos por mensagens sem confirmação da fonte;
  • Manter aplicativos bancários atualizados e habilitar camadas extras de autenticação;
  • Desconfiar de contatos que criem senso de urgência ou pressão para agir rapidamente.

Para Brasio, confiança e segurança devem caminhar juntas durante as interações digitais. “Proteger a identidade digital deixou de ser um tema técnico ou restrito às empresas e se consolidou como uma linha de defesa essencial para consumidores, negócios e todo o ecossistema digital”, reforça.

Com o aumento da conectividade móvel nas ruas e o clima de descontração típico do Carnaval, especialistas recomendam que foliões estejam atentos aos sinais de fraude e façam uso consciente dos dispositivos. A combinação de boas práticas, uso criterioso de ferramentas de pagamento e verificação de informações pode reduzir significativamente o impacto dos golpes digitais.

Apesar do cenário desafiador, os profissionais de cibersegurança afirmam que conhecimento e prudência continuam sendo os maiores aliados do público. Assim como a carteira física merece cuidado nas multidões, a proteção no ambiente online deve ganhar prioridade para que a festa siga sem sobressaltos.

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