Computação quântica põe em xeque criptografia atual e força empresas a rever estratégias de segurança
São Paulo, 05 de fevereiro de 2026 – O avanço acelerado da computação quântica passou de conceito experimental a realidade de mercado e já impõe às empresas um redesenho urgente de suas estratégias de proteção de dados. O alerta dominou o Quantum-Safe Summit, evento promovido pela Palo Alto Networks, onde executivos e pesquisadores detalharam riscos crescentes e prazos apertados para a adoção de mecanismos de criptografia quântica.
Velocidade quântica supera criptografia clássica
No encontro, especialistas apontaram que algoritmos rodando em computadores quânticos tendem a decifrar chaves criptográficas hoje consideradas robustas em frações do tempo necessário a máquinas tradicionais. A maior parte das infraestruturas de segurança corporativa, porém, permanece baseada em computadores clássicos, incapazes de acompanhar a complexidade e a velocidade dos novos processadores quânticos.
Para Nikesh Arora, CEO da Palo Alto Networks, a situação já ultrapassou o estágio de pesquisa acadêmica. “A computação quântica está presente em setores como medicina, aviação e finanças; não é mais um projeto de ciências. Veremos essa tecnologia crescer nos próximos anos, e é preciso entender qual será o impacto direto nos nossos sistemas”, afirmou. Ele advertiu que falhas na proteção podem “comprometer países inteiros”, reforçando a necessidade de ação imediata.
Ameaça concreta exige antecipação
Jerry Chow, especialista em computação quântica da IBM, acrescentou que o poder necessário para quebrar cifras tradicionais diminui rapidamente. “Em algum momento, os ataques conduzidos por computadores quânticos ocorrerão. O caminho é estar um passo à frente e desenvolver protocolos específicos”, declarou.
Na tentativa de ganhar tempo, muitas organizações adotam a prática denominada harvest now, decrypt later – armazenar volumes massivos de dados criptografados hoje, com a expectativa de decifrá-los no futuro quando os recursos quânticos estiverem amplamente disponíveis. Embora essa estratégia funcione como paliativo, não oferece proteção definitiva, destacaram os palestrantes.
Dificuldades freiam migração para a nuvem
A transição para ambientes de segurança preparados para a era quântica esbarra na relutância de grandes empresas em migrar bancos de dados corporativos para a nuvem. Diresh Nagarajan, líder de serviços para o mercado financeiro da IBM, enumerou três barreiras principais: falta de visibilidade sobre onde e como a criptografia é aplicada; complexidade técnica da migração; e possíveis impactos de uma mudança em larga escala nos negócios.
“Costumamos dizer que a computação quântica resolverá problemas que os computadores comuns não conseguem, mas criará desafios que os sistemas clássicos não conseguirão superar”, resumiu Nagarajan. Ele propôs um plano baseado em três pilares: remediação imediata de vulnerabilidades, rotas inteligentes de migração e capacidade de proteção sem alterações profundas na arquitetura de TI. Segundo o executivo, esses passos permitem manter operações online enquanto reduzem riscos.
Mandato global estabelece prazo até 2035
A urgência se intensifica com um mandato internacional que determina a migração de ativos críticos para criptografia resistente a algoritmos quânticos até 2030, com conclusão total do processo cinco anos depois. Richu Channakeshava, gerente de produtos da Palo Alto Networks, avaliou que “é matematicamente impossível concluir a transição manualmente em nível empresarial”. Para ele, ferramentas de inteligência artificial serão indispensáveis a fim de automatizar etapas e atender ao cronograma.
IA desponta como aliada indispensável
Os conferencistas convergiram na ideia de que soluções baseadas em IA tornam a migração mais ágil, ao identificar fluxos de dados sensíveis, mapear dependências e sugerir ajustes de configuração em tempo real. Apesar da resistência inicial do mercado, Anand Oswal, vice-presidente executivo da Palo Alto Networks, ressaltou que a adoção de criptografia quântica evolui rapidamente. “A transição se torna cada vez mais segura e necessária, pois a criptografia clássica deixará de oferecer proteção adequada”, comentou.
Próximos passos para as empresas
Diante do cenário exposto, os especialistas recomendaram que as organizações iniciem imediatamente:
- Inventário completo de ativos críticos e chaves criptográficas em uso;
- Testes de interoperabilidade com algoritmos pós-quânticos já disponíveis;
- Planejamento de migração gradual, priorizando sistemas mais sensíveis;
- Automação de processos com apoio de inteligência artificial para escalar upgrades;
- Capacitação de equipes de segurança para lidar com nova matriz de ameaças.
No encerramento do Quantum-Safe Summit, a conclusão geral foi que a questão deixou de ser “se” a criptografia quântica será necessária e passou a ser “quando” as empresas estarão preparadas. Com prazos definidos até 2035 e a perspectiva de ataques cada vez mais sofisticados, permanecer inerte deixou de ser uma opção viável para qualquer organização que deseje proteger seus dados na próxima década.



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